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O futuro do pretérito

Alguns clubes argentinos se dedicaram a acumular títulos internacionais em diferentes épocas. O Estudiantes, no final dos anos 60, levantou três Libertadores seguidas e uma Intercontinental. Depois veio o domínio do Independiente nos anos 70: foram quatro títulos continentais consecutivos (1972, 73, 74 e 75), somados aos dois conquistados no meio da década anterior [1964 e 65].

El Rojo ainda conquistou sua sétima Libertadores em 1984, quando adotou a alcunha Rey de Copas. O recorde já dura mais de trinta anos. Nem o Boca Juniors pôde superá-lo. Os Xeneizes dominaram o futebol sul-americano nos anos 2000, conquistando quatro títulos [2000, 01, 03 e 07], além do bicampeonato de 1978 e 79. Por haver superado o Independiente em títulos internacionais, o Boca se apropriou do apelido Rey de Copas, mas, no que diz respeito à Libertadores, o Independiente ainda reina.

O River Plate teve o azar de não poder disputar uma Libertadores com sua lendária La Máquina. O esquadrão existiu durante uma época em que uma competição continental sul-americana ainda era um sonho a ser realizado. No entanto, os Millionarios ainda beliscaram três Libertadores.

Contudo, entre os clubes argentinos campeões da Libertadores, houve aqueles que tiveram seu lugar ao sol por apenas uma vez, como o Racing [lá nos anos 60], o Argentinos Juniors, em 1985, Vélez Sarsfield, na década de 90, e, mais recentemente, o San Lorenzo. Entretanto, um deles marcou um estilo único — não pela maneira de jogar, mas de formar e exportar jogadores como nenhum outro.

A história do Argentinos Juniors é marcada por ser o berço de talentos de trajetória mundial, a começar por ninguém menos que Diego Armando Maradona, que dá nome ao estádio desde 2003. Para ser breve, a galeria de talentos revelados no clube conta com Fernando Redondo, Juan Pablo Sorin, Juan Román Riquelme e Esteban Cambiasso.

Redondo e Cambiasso tiveram carreiras esplendorosas na Europa. Maradona dispensa comentários. Enquanto o Independiente e o Boca discutiam quem era o Rey de Copas, o Argentinos Juniors parecia ter o nome próprio perfeito, sem precisar do apelido de Semillero del Mundo — em alusão à condição econômica da Argentina no início do século XX, que exportava grãos para o mundo inteiro.

Não era uma simples coincidência do destino a formação de tantos talentos. Havia ali uma dupla que trabalhava duro para obter tais resultados. Yiyo Andretto e Ramón Maddoni eram os responsáveis pelas ricas safras extraídas de La Paternal. Não era exatamente ali, mas no bairro vizinho.

Villa del Parque é um bairro residencial, tranqüilo e agradável de Buenos Aires. Era no Club Parque, localizado na rua Marcos Sastre, na altura do número 3.200, de frente para a praça Aristobulo del Valle, que funcionava a fábrica de craques.

Yiyo e Ramón comandavam os times de Baby Fútbol do Club Parque, que tinha um convênio com o Argentinos Juniors. Os jogadores saíam de lá para serem integrados diretamente ao time juvenil.

Era justamente com a dupla que os jogadores aprendiam os fundamentos básicos e se acostumavam a vencer e vencer. Quando o Parque disputava uma competição, o triunfo era certo. A superioridade era tamanha que as ligas de Baby Fútbol proibiram a participação do clube, forçando-o a se inscrever nas competições usando outros nomes.

Federico Insúa e Esteban Cambiasso foram os dois últimos jogadores com projeção internacional a despontar no Club Parque e ir para o Argentinos Juniors. Em 1996, o Boca Juniors, então presidido por Mauricio Macri, “comprou” o clube de Villa del Parque e começou a incorporar os jogadores de lá.

Yiyo e Ramón passaram a trabalhar diretamente no Boca Juniors, fazendo um trabalho similar ao que faziam no Argentinos Juniors, participando da transição dos jogadores para o futebol de campo. Do Club Parque para o Boca, saiu Fernando Gago.

Antes de sair do Argentinos Juniors, Maddoni chegou a tentar garimpar ninguém menos que Carlos Tévez, como contou em entrevista ao programa Histórias de Vida, do canal argentino 360: “Eu vi o Tévez jogando pelo All Boys e tentei levá-lo para o Argentinos Juniors. Mas ele disse que, se fosse para jogar no Argentinos, preferia ficar no All Boys. Seis meses mais tarde, fui para o Boca e voltei a procurá-lo. Perguntei se ele queria vir. Ele me respondeu que, para o Argentinos, não. Foi quando eu falei que eu estava no Boca, e ele aceitou imediatamente.”

Não foi mera coincidência que, desde então, tenham surgido por lá outros nomes como Banega e Gaitán. E também não é casualidade que o Argentinos Juniors tenha deixado de produzir tantos jogadores como antes. Ramón Maddoni e Yiyo Andretto foram dois dos maiores fabricantes de talentos que o futebol mundial já teve.

Jornalista, publicitário e fotógrafo. Estudou comunicação social na Universidad Nacional de La Plata. Para Martinho, não existe golaço de falta (nem aquele do Roberto Carlos em 1997 contra a França ou de Petković em 2001 contra o Vasco). Aos 11 anos, deixou o cabelo crescer por causa do Maldini. Boicota o acordo ortográfico.

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