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Copa Mercosul 1995

O título que [quase] ninguém viu

Em 1997, o River Plate liderado por Enzo Francescoli levantou uma taça até então inexistente na sua sala de troféus: a da Supercopa dos Campeões da Libertadores. O torneio foi extinto no ano seguinte, substituída pela recém criada Copa Mercosul, que teve o Palmeiras como primeiro campeão. Mas “há controvérsias”, diriam. O primeiro campeão teria sido o Figueirense.

Realizado durante dez dias entre o final de janeiro e o início de fevereiro de 1995, o primeiro “Torneio Mercosul” foi jogado em Santa Catarina. Foram convidados times do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, mas muitos desistiram por questões referentes ao calendário. Esvaziado, o torneio contou com a participação de times do próprio estado — Avaí, Criciúma, Figueirense, Joinville e Marcílio Dias —, além de Coritiba, Olimpia do Paraguai, Nacional e Cerro do Uruguai.

Na final, o Figueirense derrotou o Joinville por 1 a 0 com um gol de pênalti na prorrogação, marcado por Biro-Biro (não aquele). Embora poucos tenham visto o título — no site oficial do Figueira, a conquista está devidamente registrada —, e seus torcedores devem acreditar que o clube merece reconhecimento oficial por parte da Conmebol.

Talvez seja verdade que o torneio disputado em Santa Catarina tenha sido um embrião para a verdadeira Copa Mercosul, que se iniciou em 1998. Mas isso não confere nenhuma legitimidade à reivindicação. A Conmebol não participou da organização do torneio e pode ser que sequer tenha tomado conhecimento de sua existência.

Em 1996, houve uma segunda edição da competição, desta vez jogada em turno e returno entre três times: Internacional, San Lorenzo e Universidad Católica. O campeão foi o Inter, após ter vencido os quatro jogos que disputou.

Muitas vezes, um movimento de reconhecimento de um título pode até ser legítimo. Mas neste caso, não passa de mais um torneio de verão que se quer reconhecer como título continental, a não ser de caráter amistoso, como a Euro-América de 1996, as tradicionais Taças Teresa Herrera em Corunha conquistadas por clubes brasileiros ou outros torneios de verão do gênero na Espanha: Ramón de Carranza, disputado em Cádis, Torneo Naranja, em Valência; Troféu Joan Gamper, em Barcelona ou o Palma de Mallorca, nas Ilhas Baleares.

Jornalista, publicitário e fotógrafo. Estudou comunicação social na Universidad Nacional de La Plata. Para Martinho, não existe golaço de falta (nem aquele do Roberto Carlos em 1997 contra a França ou de Petković em 2001 contra o Vasco). Aos 11 anos, deixou o cabelo crescer por causa do Maldini. Boicota o acordo ortográfico.

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