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Editorial

Um vídeo promocional do Ajax Experience, espaço que ficava localizado no centro de Amsterdã, encerra com a seguinte frase: “Dennis Bergkamp, Marco van Basten, Johan Cruijff: Depois do Ajax, você pode jogar em qualquer lugar, mas tudo começa aqui”.

O Ajax Experience fechou as portas em agosto de 2013 depois de dois anos. Naquela altura, o Ajax já sofria os efeitos de um novo momento do futebol europeu cada vez mais globalizado em suas receitas e, ao mesmo tempo, com os recursos financeiros mais concentrados em menos clubes de poucas ligas. A Eredivisie não era uma delas. Embora o Ajax tivesse voltado a dominar, como sempre dominou, o campeonato holandês, o clube vivia um período de reencontro com si mesmo. Mesmo nos anos 1970, 1980 e 1990, quando teve três grandes gerações de talentos, os Ajacied padeceram com o assédio dos grandes clubes da época e perdeu seus melhores jogadores para outros mercados. Entretanto, o time sempre conseguiu reflorescer, mas nos anos 2000, os talentos começaram a deixar Amsterdã cada vez mais precocemente.

Mesmo aqueles que eram oriundos de outros mercados como América do Sul, leste europeu ou escandinávia, caso de Ibra que chegou ao clube aos 18 anos e saiu ao 22, mas foi nesse período que Zlatan se tornou Ibrahimović, embora não tenha competido no mais alto escalão dos torneios continentais pelo Ajax, o sueco de origem balcânica mostrou suas habilidades para clubes como a Juventus que já enxergavam o clube holandês como um recrutador de luxo.

Sem se tornar um jogador lendário em Amsterdã, Ibra partiu rumo a uma carreira solo, sem conquistar uma Champions sequer por qualquer clube que tenha defendido, mas deixando a sua marca. Sua presença transformava qualquer atmosfera por onde passava e a sua origem explica em grande parte a sua personalidade.

Seus pais deixaram a antiga Iugoslávia antes da morte de Tito e atravessaram o continente rumo ao norte até Malmö. Mas as raízes iugoslavas de Ibrahimović são pauta nesta Corner #15 que coloca a lupa no momento em que o futebol acabou sendo fundamental para que os nacionalismos croata, bósnio e sérvio se tornassem um pilar nesse contexto bélico em que se transformou os Bálcãs.

Enquanto Ibra trilhou uma carreira multicromática e idiomática, outro personagem desta edição é Flórián Albert, o magiar que caminhou só após o êxodo de toda uma geração dourada húngara, ele surgiu para permanecer em seu país como último bastião da escola do Danúbio.

Em uma anatomia daquele futebol húngaro, a Corner #6 se debruçou nas origens e no porquê da extinção da escola danubiana que teve seu início na Áustria e seu esplendor na Hungria. As razões apontaram para o anti-semitismo que expulsaram de lá potenciais ideólogos judeus como Béla Guttmann, ​​Gusztáv Sebes ou Árpad Weisz, detentores de uma cultura de jogo que acabou sendo absorvida, indiretamente, por razões humanitárias pelo Ajax de Rinus Michels no final dos anos 1960, exatamente quando chegava ao fim aquela geração húngara.

Aquele time húngaro era herdeiro direto do Wunderteam austríaco, comandado por Hugo Meisl, um filho de comerciantes judeus da Boêmia, região do Império Austro-Húngaro na época, atual República Tcheca. E foi justamente um comerciante judeu, Maup Caransa, órfão do holocausto, que o Ajax incorporou ao seu DNA a cultura de futebol e valores da comunidade judaica.

Esse é só um dos componentes que fazem o único grande clube de Amsterdã tão especial, os outros, são aqueles times que marcaram época e você vai relembrar nesta edição #15.

Jornalista, publicitário e fotógrafo. Estudou comunicação social na Universidad Nacional de La Plata. Para Martinho, não existe golaço de falta (nem aquele do Roberto Carlos em 1997 contra a França ou de Petković em 2001 contra o Vasco). Aos 11 anos, deixou o cabelo crescer por causa do Maldini. Boicota o acordo ortográfico.