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Jamil Chade

Política, propina e futebol. As relações de poder e o jornalismo como resistência

A neutralidade é o principal pilar na formação da identidade Suíça como estado nacional desde princípios do Século XVI. Oficialmente, o país não escolhe lado em guerras desde o Congresso de Viena, em 1815. Quando entra em ação, seu exército tem como missão principal a defesa, assim como o “Ferrolho Suíço” de Karl Rappan de 1938 e a zaga helvética eliminada sem tomar sequer um gol na Copa da Alemanha, em 2006.

A prática do bom jornalismo também pressupõe isenção. Mas para a imprensa, é dever a opção pelo combate. Condição inegociável à profissão defendida por Jamil Chade. O correspondente brasileiro em Genebra é referência quando se trata das relações de poder nos bastidores de entidades que influenciam os rumos do planeta e se vendem tão imparciais quanto o país onde têm sede.

Brasília, ONU, FIFA, UEFA e CBF. Politização dos estádios, “clubismo eleitoral”, futuro do impresso. Revolução no consumo de informação e combate ao autoritarismo. As próximas linhas são um convite à reflexão sobre o jornalismo e o seu papel dentro do futebol, especialmente como ator político.

Você é formado em Relações Internacionais. Como você acabou parando no Jornalismo?

Eu fiz Relações Internacionais, mas o que eu tinha como maior interesse era a questão do poder: o que é o poder? E, além do poder, o que acontece quando o poder significa que isso tem um impacto na nossa vida, na vida do cidadão? E aí é curioso, porque o poder obviamente tem um local em que acontece. No nosso caso, no Brasil, é Brasília. Não é uma ficção, o jogo do poder é jogado em salas específicas, em locais específicos. Estou contando isso porque eu decidi ver como era que funcionava o poder, e pra ver como funciona o poder tem uma opção que é justamente o jornalismo. Então eu terminei Relações Internacionais e entrei no curso de “focas”, na Gazeta Mercantil. Foi a única edição do curso que eles fizeram. Eu fui selecionado e pedi para ir para Brasília. Eu pedi para ir para Brasília porque eu queria estar no Parlamento, no Congresso brasileiro, e saber “tá, o que é que acontece aqui?” A transição não foi pelo jornalismo, foi para conhecer [o poder] por dentro. E aí, o que acontece com muitos de nós, quando a “mosca pica” e você fica absolutamente [apaixonado]. O jornalismo é muito viciante, porque você tem a impressão de que você tem o privilégio de fazer parte não da decisão, mas de presenciar coisas que você não teria a capacidade como cidadão. Eu não digo que foi por acidente, mas foi para conhecer os bastidores daquilo que a gente vive. E é algo que eu tento usar até hoje, que é justamente jamais se contentar com a declaração e jamais se contentar com a comunicação que é dada. Se uma empresa, se uma entidade, se a ONU, se o governo brasileiro faz uma declaração em certo sentido, eu quero saber qual a decisão que estava por trás e que levou, justamente, o governo, um partido, um time de futebol ou um jogador a me dizer isso.

Quando você começou a trilhar esse caminho, existia algum foco?

Foi uma coincidência, mas eu tive uma sorte de ter ido pra um colégio e uma faculdade que tinham foco na multidisciplinaridade. Foi uma coincidência, mas tanto no colégio quanto na universidade, o curso de Relações Internacionais [da PUC-SP] naquela época era um curso que ainda buscava o seu caminho, então a gente tinha ao mesmo tempo Direito, Economia, Sociologia, História e Geografia. Você pode falar “cabe tudo isso num programa só?”. Provavelmente não, mas eu acabei me aproveitando disso para ter todos esses caminhos abertos. Quando eu começo a trabalhar no jornal, eu achei que na verdade as histórias, no fundo, podem ser muito parecidas, apesar de acontecerem em diversas áreas. Então, o que acontece na economia, na política, na sociedade e no esporte são histórias, primeiro, de pessoas. São histórias de disputas, não só de poder: disputas por espaço, por mercado, mas que seguem uma mesma lógica. O trabalho do repórter é sempre o mesmo: contar para uma audiência de fora aquilo a que ela não tem acesso imediato. A possibilidade de olhar para várias áreas se deu primeiro por conta da minha formação, mas também porque, no fundo, pouco importa em que área você está. O importante, obviamente, é ser fiel à história, mas principalmente como você vai transformá-la num relato para alguém que está fora dela.

E o futebol dentro disso? Você percebe práticas ou relações muito diferentes das que acontecem no jogo político fora dele?

Não, não é muito diferente, porque o futebol não acontece no vácuo. Um esquema corrupto no futebol não acontece no vácuo, ou não só a corrupção, mas uma certa onda. Por exemplo: clubes empresas. Eles não acontecem tampouco no vácuo, mas dentro de um modelo liberal, numa economia específica que quer justamente promover entidades dessa natureza. Não se pode entender o que acontece no bastidor do futebol sem você conhecer a sociedade onde esse futebol está instalado. Isso foi verdade no Brasil de hoje, no Brasil dos anos 1980, ou na União Soviética e no futebol da União Soviética, ou no futebol na Europa atual, multibilionário, e a própria estrutura da economia européia. Nada disso acontece no vácuo. No futebol, se você não entende a base em que ele está sendo estabelecido, você não vai entender o que acontece por trás. Dito isso, o futebol tem várias especificidades, vários elementos que só existem no futebol, que é, por exemplo, a paixão, a paixão real do torcedor, a paixão real, às vezes, do próprio dono do time. E também tem uma especificidade muito grande, que é essa suposta e, obviamente, mentirosa neutralidade política do futebol. Tudo isso, claro, compõe um outro jogo, mas o bastidor do futebol, da política e da sociedade são absolutamente entrelaçados.

“Não se pode entender o que acontece no bastidor do futebol sem você conhecer a sociedade onde esse futebol está instalado.”

Já ouvi diversas pessoas falarem no jornalismo esportivo como uma área superficial da profissão. Você acha que a classe dá margem para esse tipo de comentário?

Vou dar um exemplo de por que eu acho que não, por que eu acho que é uma imagem deturpada, e, na verdade, resultado de um outro fator, que é o seguinte: apresentar o futebol como entretenimento. O futebol como entretenimento é, de fato, uma realidade. Ele é apresentado como [entretenimento], e às vezes a própria Seleção Brasileira, ou qualquer outro time, com atores, e não jogadores. Atores com a mesma função que o Mickey tem para a Disney. Ou seja — eu não estou comparando o Mickey a um jogador, não é nada disso —, ele tem a mesma função para aquela empresa, que é gerar renda e atrair consumidores. Nessa geração de renda e na atração de consumidores, existe o risco, e esse é um risco real de que a imprensa trate isso como entretenimento. Entretenimento em qual sentido? Hoje em São Paulo há teatros, cinemas e jogo de futebol pela noite. Colocar no mesmo patamar sem explicar que o torcedor não é o telespectador, não é a audiência do teatro. Você tem a tentativa de colocar o futebol como entretenimento como mais uma forma na estratégia de comercialização do futebol. Nisso, voltando à sua pergunta, existe o risco real de que a imprensa simplesmente seja mais uma peça dessa engrenagem do entretenimento, e aí sim existe essa possibilidade superficial. Superficial por quê? Porque você está lidando com um espetáculo, afinal de contas, “é só um espetáculo”. Afinal de contas, “é só um teatro em que, quando acabam os 90 minutos, acaba o teatro”. E, afinal de contas, “ele não vai interferir na sua vida. Se perdeu ou ganhou o seu time, tanto faz”. Essa é uma avaliação, e esse é o perigo da superficialidade: tratar isso apenas com esse componente. Por quê? Porque é ele que vende imediatamente camisa, ele é o que vende produtos de merchandising dos patrocinadores, e ao mesmo tempo tem a sua função. Esse é um lado. Agora eu vejo, na verdade, cada vez mais uma imprensa, não só no Brasil, mas em outros lugares, preocupada com, por exemplo, “qual vai ser o comportamento da torcida numa eleição presidencial?”, “qual vai ser o comportamento dos jogadores num escândalo de corrupção?”. Isso é positivo, isso explica que você tenha o futebol totalmente entrelaçado com a sociedade. Porque (o futebol) não é entretenimento. Ele também pode ser entretenimento, mas ele é várias outras coisas, tem outros componentes. Existe isso que você falou? Existe, claro que existe. Se você se propõe a ser só mais um braço dessa estratégia de entretenimento, não venha dizer que “ah, mas eu tô sendo acusado de ser superficial”. Sim, porque você transformou aquele evento em algo superficial.

Você concorda que esse estigma existe?

Sim.

Você enxerga isso na Europa também? O segmento é marginalizado dentro do próprio jornalismo?

Vou dar um exemplo: o futebol no El País não é marginalizado. O futebol na imprensa espanhola, sim. Por quê? Porque você tem meios de comunicação na Espanha, jornais, que se prestam a ser um braço daquele clube, ou “do outro clube”. E a sociedade — desculpa —, ela não é estúpida. Ela vê que aquilo ali não faz parte de um cenário mais complexo do futebol. Ela o vê como um instrumento daqueles clubes. Essa imprensa, sim, é colocada de uma forma diferente. Agora, o futebol tratado de forma séria [é respeitado], e vários veículos de comunicação [esportivos] da Espanha são tratados no mesmo nível que o restante. Aí você volta à questão principal: “jornalista esportivo, mas, acima de tudo, jornalista”. Existe jornalista cultural, jornalista político, jornalista esportivo — o que te define é ser jornalista, não o ramo. Isso fica muito claro em vários países, acho que não é só no caso espanhol. Sempre que você se propõe a fazer jornalismo, você não vai ser estigmatizado. Agora, todas as vezes que você troca o jornalismo pelo “entretenimento esportivo”, aí sim.

“Jornalista esportivo, mas, acima de tudo, jornalista”

No Brasil, existe um descolamento muito grande, no pensamento médio, entre o futebol e o restante da sociedade. Por que você acha que se nega a mistura entre política e futebol, já que são dois fenômenos impossíveis de serem dissociados?

Isso foi uma construção, não nasceu assim. Essa idéia, que alguns querem ter, de que futebol — ou esporte — e política são separados é uma das visões que foram colocadas ao se começar a organização das entidades esportivas mundiais e a regularizar o esporte. Na União Soviética, jamais isso foi colocado como questão. O esporte nasceu político. Isso não tinha nenhuma dúvida e não havia nenhum constrangimento, muito pelo contrário: você tinha que demonstrar que você tinha uma visão política. Existe aí um outro problema muito grave, que é a censura em permitir que você dissesse que apoiava um outro candidato que não fosse o do regime. Isso existia. O modelo que vinga, pelo menos, no ocidente e que depois ganha o mundo inteiro é um modelo em que o futebol e a política precisam estar separados. Para que estar separado? Isso é muito importante que se coloque, porque essa reação de muita gente hoje achar que “ah, não, mas o futebol não tem nada a ver” e “eu quero essa separação” é uma construção sociológica. Isso é muito importante que seja dito, que não é natural. Isso é o resultado, eu diria, de pelo menos cinqüenta anos de instituições martelando que você não poderia misturar as duas coisas. Aí vamos ver as contradições absurdas que existem diante disso que você trouxe: você tem entidades esportivas que pregam isso como regra principal. Para quê? Para antes de mais nada ficarem isentas de qualquer controle externo. Esse é o ponto número um. O ponto número dois, que também é muito importante: o afastamento dessas entidades do controle externo significa que elas teriam algum caráter supranacional e de alguma forma elas fossem consideradas como uma entidade separada, com um governo separado, como um poder separado. Quem constrói essa visão quer que aquela entidade e aquele esporte sejam uma base de poder. E aí começam as contradições: “Muito bem, essa é a regra geral, mas deputado pode ser presidente de time? E time pode eleger deputado? Pode.” Já começamos complicando essa história. “Ah, então política e futebol não se misturam, salvo quando um presidente de clube é eleito deputado?” É. “Salvo quando um jogador é eleito deputado?” É. “Salvo quando o presidente de um clube em Alagoas vira presidente de um país?” É. “Ah, então não tem a separação?” Não, é claro que não tem. O que tem é a construção de um discurso para evitar que você, como “massa”, chegue a ser mobilizado para ter um objetivo político. “É conspiratório?” Não, não é conspiratório. É real! E aí eu vou pegar alguns exemplos do passado, que não é nosso, mas que também mostram isso: essa URSS que permitia e queria que você declarasse que você é esportista e você representa a supremacia daquele regime. Aquilo ali valia, mas não valia quando a torcida do Spartak [Moscou] gritava contra o Stalin no estádio. Aí não valia, aí era “politizar o esporte”. Eu volto: na base desse debate todo está a questão do poder. Hoje, as pessoas que falam “ah, mas eu acho que o futebol deveria estar separado da política” são as “crias” desse discurso impregnado. Tão impregnado que parece natural. Não é natural.

No Brasil começaram a surgir coletivos anti-fascistas em várias torcidas. A maioria deles encontra obstáculos para levar faixas e se posicionar dentro do estádio, sejam eles públicos ou privados. Por outro lado, em 2018 o presidente da República eleito entregou a taça de campeão brasileiro ao dito time do coração e o gramado se transformou em palanque político. O que pode e o que não pode? É uma contradição?

Eu tenho uma avaliação absolutamente pessoal. Não veja isso como algo que em algum momento vá ser aplicado, mas, na minha avaliação, não existe um motivo real para que um espaço seja apolítico. Porque você transformar um espaço em um local apolítico já é uma política, já é uma decisão política transformar uma determinada arena pública. Porque, sim, ela é uma concessão privada. Sim, ela é de um grupo privado, mas a participação é popular. Você dizer “aqui não pode ter manifestação política” é você, na verdade, silenciar e controlar uma parte dos atores desse espetáculo que podem ter [direito a se manifestar], porque você pode ter. Vou te dar um exemplo: não pode ter expressão política no estádio, mas um presidente levar outro presidente para ver um jogo e ser fotografado ao lado dele pode. Ele não politizou o estádio? Ele politizou cem por cento o estádio. “Ah, mas não era uma faixa”. Não, não era uma faixa. Não precisa ser faixa. “A Copa do Mundo não pode ser politizada”. Ninguém avisou o Putin disso.

“Não pode ter expressão política no estádio, mas um presidente levar outro presidente para ver um jogo e ser fotografado ao lado dele pode. ‘A Copa do Mundo não pode ser politizada.’ Ninguém avisou o Putin disso.”

A então presidente da Croácia, Kolinda Grabar-Kitarović, entregou a taça aos jogadores da França campeões do mundo…

Isso, mas não só isso. O Putin, num gesto quase banal na abertura da Copa do Mundo, com o rei da Arábia Saudita, estava dizendo ao mundo “eu não estou isolado politicamente”. Então vamos lá: ninguém pode se pronunciar, salvo aquele que já tem o poder. Ele, sim, pode politizar o futebol. O resto, não. Então dizer “a torcida não pode se politizar?” Pode. Pode e deve. “O jogador não pode?” Pode, claro que pode. Na verdade, eu, pessoalmente, tenho uma… eu sinto um mal estar muito grande quando eu vejo um astro, que tem uma influência gigantesca, dizer “eu não me pronuncio sobre política porque o meu papel é entrar em campo”. Ah é? Teu papel é entrar em campo? Então para de fazer publicidade para a Gillette. Ué, vamos ser coerentes. O seu papel é só jogar bola? Então para com a publicidade. Ou quer fazer publicidade? Tem que haver também o direito de falar de política. Por que não? Outro exemplo de como é desequilibrado esse jogo da política dentro do estádio: torcida e jogador precisam silenciar em relação à política, mas eu, como Estado, posso promover um jogo da Seleção Brasileira como “ato patriótico” em um determinado momento da vida política do país, em que a gente precisa que aquela região se sinta mais ligada ao país, por qualquer que seja o motivo. Isso não é política? É cem por cento política. Cem por cento política. Vamos pegar as últimas Copas do Mundo: 2010 na África do Sul. Isso não sou eu que estou dizendo. Thabo Mbeki foi presidente da África do Sul. Eu fiz uma entrevista com ele, e ele dizia: “Para nós, isso não é um torneio esportivo. Para nós isso é um instrumento de política externa”. Eu acho que um instrumento de política externa tem “instrumento”, “política” e “externa”, que são três palavras relacionadas com o poder, com a sua influência e com política, obviamente. 2014 no Brasil. Quando o Brasil ganha [o direito de sediar] a Olimpíada e a Copa do Mundo, numa coletiva de imprensa do Lula em Copenhague, ele diz que o Brasil ganhou o certificado internacional, de fazer parte da comunidade internacional. Não foram essas palavras, mas era basicamente isso o que ele estava dizendo. O que ele estava dizendo? Que politicamente o país foi reconhecido pela comunidade internacional. 2018, Copa na Rússia. Rússia isolada sob sanções internacionais, e o que o Putin faz com a Copa do Mundo? Mostra pro mundo, basicamente mostra para a comunidade internacional, que “eu estou de pé”, que a Rússia pode estar sofrendo as sanções que forem, mas o país está de pé. Isso não é um recado político? Catar em 2022, cem por cento político. Dizer que a torcida e o jogador não podem se pronunciar quando todos os demais atores se pronunciam é no mínimo hipócrita. Quanto aos jogadores: qual a diferença do Muhammad Ali e do Pelé? O Pelé vai entrar pra história como o maior jogador do futebol. Muhammad Ali vai entrar para a história como maior pugilista-ativista-lutador pelos direitos civis. A diferença é gigante. A diferença é gigante! Aí você poderia dizer “não, mas o que importa é a função dele em campo”. É, claro, com certeza. Agora, nesse contexto que eu te disse, em que todos os demais estão usando aquele evento como política, como você pode silenciar justamente aqueles que poderiam ter uma certa liberdade para dizer o que eles querem? Então, é um assunto não resolvido do futebol, porque — voltando ao começo da resposta — é uma construção. Essa construção tem um objetivo, que é te silenciar, e essa construção não tem nenhum motivo para continuar existindo. Por tudo isso eu acho que, sim, torcida tem que ter o direito de se pronunciar; sim, jogador tem que ter o direito de se pronunciar.

“‘Eu não me pronuncio sobre política porque o meu papel é entrar em campo’. Ah é? Teu papel é entrar em campo? Então para de fazer publicidade para a Gillette. Ué, vamos ser coerentes. O seu papel é só jogar bola? Então para com a publicidade.

Então você concorda que o futebol, como talvez o maior fenômeno social já visto na Terra, seja um dos esportes mais despolitizados?

Exatamente, porque…

O Pelé vai entrar pra história como o maior jogador do futebol. Muhammad Ali vai entrar para a história como maior pugilista-ativista-lutador pelos direitos civis.

Despolitizado à força, e não espontaneamente.

À força. Um governo fala “poxa, a nossa federação esportiva, de futebol, está cometendo graves erros, preciso intervir”. Ele intervém, e no dia seguinte aquela seleção está banida da Copa do Mundo. Olha o poder que tem essa entidade internacional, chamada FIFA, de impor essa regra, que ali, na fronteira, a política não passa. Agora, mais uma vez, olha que hipócrita que é essa lei. Porque ao mesmo tempo que esse “maior fenômeno esportivo do mundo”, ou talvez “de massas” do mundo, tem uma linha, uma fronteira super controlada, essas entidades — no caso a FIFA — tinham por muito tempo o ministro de esportes da Rússia como membro do seu conselho. Espera aí! E a lei? “Não, nesse caso não vale”. A CBF, que tem deputados…

Você se referia ao Vitaly Mutko?

Sim, o Mutko. E aí vamos entender quem é o Mutko. O Mutko era o braço direito do Putin. Então não é o Mutko que estava na FIFA. Era o Putin que estava na FIFA, no conselho da FIFA. Isso não é política? Vai pra CBF. Tem deputados que fazem parte da CBF. Isso não é política? Então calma aí! Os únicos que não podem são os jogadores e a torcida? E aí você tem toda a razão. É de longe o esporte mais alienado. E, vamos colocar em contexto: não é alienado no que se refere à ignorância ou a algum tipo de falta de percepção, mas uma alienação imposta por aqueles que controlam. E aí você vai me dizer que o Havelange, que percorria o mundo dando a mão para ditadores do mundo inteiro, que ali podia. Vamos ser sérios…

As eleições de 2018 no Brasil evidenciaram um comportamento que aproxima o torcedor do eleitor, uma espécie de “clubismo eleitoral”, em que alguém distorce a realidade e nega os fatos que confrontam o seu ponto de vista. Um caso de viés de confirmação. Você concorda com isso?

Pelo seguinte: existe um fenômeno que toca todos esses campos ao mesmo tempo, que é a recusa do eleitor, ou do torcedor, ou do cidadão, em aceitar o fato. Cada vez mais você vai procurar ler coisas que confirmem o que você pensa, e não que destruam o que você pensa. Eu sempre digo que como jornalista eu sempre presto atenção absolutamente especial a coisas ou a fatores que não estavam na minha previsibilidade. “Eu não previa isso”, então olhe bem, olhe bem para isso. Porque esse “não previa isso” talvez seja a realidade que eu não tinha percebido. Se eu não previa tal elemento numa história… “tá, anota”. Pega o caderninho e anota aquilo ali, porque aquilo ali é que vai ser importante pra você. A mesma coisa sobre o que você citou: eu vejo uma sociedade hoje que quer, que vai em busca de informações que confirmem de novo o que ela pensa, perpetuando aquela bolha. De uma certa forma, as redes sociais têm potencializado isso pela questão do algoritmo, da construção do próprio acesso à informação. Então, na verdade, você não está conectando pessoas, você está criando bolhas separadas. Eu já fiz alguns testes de ficar olhando como que uma matéria minha é usada por blogs da esquerda e por blogs da direita. A mesma matéria. [Pessoas] que selecionam o que elas querem para reconfirmar a visão que elas querem dar. Nunca a matéria completa é publicada, nem por aquele grupo, nem pelo outro. O de um lado leu o que quis, e o do outro lado leu o que quis. É um “Fla-Flu” político. Ele existe porque ele está sendo ao mesmo tempo potencializado por um sistema que faz você ter acesso às coisas em que você quer acreditar. Aí você entra no debate de Fake News, da manipulação… tudo isso entra nesse debate. “Qual é o nosso papel como jornalistas?” – isso é absolutamente fundamental. É não cair, primeiro, nesse erro de você só escrever sobre coisas em que você acredita, de só ouvir as mesmas pessoas, de só dar voz a um lado de uma história. Eu gostaria de entrevistar um torturador. “Ah, é porque você apoia ele”. Não, de jeito nenhum, mas eu quero saber o que ele pensa. Em certo momento eu fui para Darfur, no Sudão, e alguém tinha oferecido, na viagem, conversar com o governador de Darfur, um genocida. E aí veio a pergunta: “Você vai dar espaço para um genocida na sua agenda e no seu jornal?”. Não, eu não vou dar um espaço para o ato do genocídio. Eu vou querer entender, questionar e, na matéria, desnudar a pessoa que comete aquele crime. Agora, eu quero ouvi-lo. Eu quero ouvi-lo. E o que nós temos hoje é que ninguém está querendo ouvir. Obviamente isso [o episódio citado] é um exagero total, mas eu não estou nem ouvindo a proposta do outro lado. Eu não estou nem ouvindo. Como você disse: “Ah, o meu candidato fez isso, isso e isso de errado, mas eu não quero saber, ele é o meu candidato”. Tá então os fatos são irrelevantes para você. E esse é o perigo hoje. A eleição de 2018 é muito importante porque não está sendo debatido se a gente aumenta a taxa de juros, se a gente aumenta o número de Bolsa Família, se a gente tem uma política externa para a África. Não é esse o debate. O debate que está tendo é “somos ou não uma democracia?”. Esse é o debate real que está por trás de toda essa confusão de percepções. O Brasil em 2018 foi colocado diante de um espelho, e o problema é que a imagem que estamos descobrindo é bastante feia.

O Brasil em 2018 foi colocado diante de um espelho, e o problema é que a imagem que estamos descobrindo é bastante feia.

Você é referência pra muita gente pela qualidade do seu trabalho, mas também por ser um correspondente que trabalha sozinho. Como é a vida de correspondente? Quais são as dificuldades do dia-a-dia? O que é mais fácil e o que não é? Como você organiza a sua rotina de trabalho?

Eu tenho uma regra básica: “Na minha casa não acontece nada”. E tomara que nunca aconteça nada. Então, trabalhar de casa não é uma opção. Não é porque a tecnologia me permite — obviamente permite —, mas o nosso trabalho é de testemunha também. Não é só um trabalho de telefonemas, e-mails, contatos. É de testemunha. É você sentir um fato quando ele acontece. Dou um exemplo: a ONU tem muitas votações no Conselho — por exemplo, o de Direitos Humanos — que podem ser e são seguidas pelo Webcast. Por mais que isso possa ser feito, estar dentro da sala da votação, na hora da votação, é outra história. Então eu tenho um princípio básico nessa organização do trabalho, que é jamais ficar em casa. É um privilégio, na verdade, você morar em uma cidade pequena (Genebra) por onde o mundo passa quase que diariamente. Você tem coisas incríveis que acontecem, como fazer o sorteio da Champions e, 15 minutos depois, estar com um [ganhador do] Prêmio Nobel da Paz na outra sala, em outro lugar da cidade. É muito bom, muito positivo pro nosso trabalho, mas isso só acontece se você for até lá, se você sair de casa. Trabalho de correspondente em casa, na minha visão, é incompleto. Ao mesmo tempo em que eu estou dizendo isso, é verdade que o trabalho como correspondente é solitário, porque você precisa ver tudo aquilo e, de alguma forma, absorver e saber o que precisa ser enviado pro seu jornal do outro lado do mundo, com um ouvinte, com um leitor que está em outra realidade. Na maioria das vezes o que é notícia na Suíça ou na Europa não é exatamente notícia no Brasil. Eu preciso saber essa distinção. Eu preciso saber que o meu leitor está em São Paulo, que o meu leitor tá vivendo a tensão eleitoral. Eu preciso saber que o meu leitor sabe disso e o que ele não sabe disso. Então, essa transposição precisa ser feita todos os dias, em todas as matérias. Agora, como que eu tento reduzir esse espaço: mantendo um contato constante com a redação, debatendo, tentando entender o que tá acontecendo lá longe, no Brasil, para que a matéria tenha uma conexão direta com o brasileiro. Eu não quero ser um europeu mandando matérias para um jornal brasileiro. Eu sou um brasileiro mandando matérias para um jornal brasileiro. Mas, pra isso, é preciso ter esse contato diário. Um caso curioso da cidade de Genebra, só pra você entender: é uma cidade pequena que tem a sede da ONU, tem a sede de várias outras organizações e tem eventos que competem entre si. São tantos eventos, tantas coisas no mesmo dia, que você como repórter precisa escolher, “eu vou naquilo e não vou nisso”. Em um certo dia, já há vários anos, em uma coletiva de imprensa com um desconhecido líder camponês boliviano — Evo Morales — tinha duas pessoas na sala de coletiva: eu e mais uma pessoa. Em que outro lugar do mundo você vai ter uma coletiva de imprensa com o Evo Morales e duas pessoas. Não só ele… como eu disse, [vencedores de] Prêmio Nobel, sei lá. Do Federer ao Neymar, porque o Neymar precisa concorrer com o chefe de estado de algum lugar que de repente esteja acontecendo ao mesmo tempo. Nesse sentido, é muito produtivo como jornalista.

Você trabalhou, entre outros lugares, em um dos três mais importantes jornais do Brasil, que é o Estadão. Como você vê o futuro do impresso e das relações de trabalho para os jornalistas?

A gente está passando por, talvez, uma das maiores revoluções das comunicações, das formas pelas quais as pessoas têm acesso à informação. Não adianta a gente lutar contra isso, essa é a realidade. Haverá, está já acontecendo, uma transformação radical na forma que as pessoas consomem informação. O que significa isso? Primeiro precisamos entender que modelo econômico sobreviverá. Se estamos lendo notícias pelo telefone – algo que há dez anos era absolutamente impensável –; se estamos tendo a capacidade de reservar ou gravar podcasts que depois você vai ouvir quando você quiser, com informações e com análise; então a demanda por notícia, por análise e por informação não vai acabar, isso não vai acabar. O que vai acabar é um modelo do século XX que levou um choque com a chegada de uma tecnologia absolutamente imprevista. Eu sempre digo que é imprevista porque nem o pessoal do De volta para o futuro colocou a existência do Wi-Fi como uma possibilidade do futuro. Esse consumo de informação por esse caminho, ninguém tinha previsto isso, “vai ser assim e vamos nos preparar”. Ela está acontecendo e, enquanto ela está acontecendo, ela está, obviamente, destruindo no caminho alguns dos modelos, dos produtos desses modelos, e eventualmente criando um novo. Eu acho que quem disser que sabe como vai ser o consumo de informação em 2030, desculpa, mas eu não acredito. Eu não acho que ninguém sabe, hoje, o que vai ser a imprensa de 2030. Podem até ter algumas sugestões, mas o que eu acho que, sim, podemos ter certeza é que vários produtos vão coexistir. Impresso vai acabar? Não. Ele vai ter a mesma função? Tampouco. Não adianta você achar que você vai publicar um jornal amanhã com notícia de ontem. Isso não vai ter. Esse modelo está sendo desfeito. Agora, isso quer dizer que o jornal não vai existir? De jeito nenhum, não é isso. O jornal vai ter, sim, análise, mas eu também não concordo quando dizem que “no jornal só vai ter análise”. Mentira! Jornal vai ter furo, vai ter revelações, vai ter coisas que obviamente no dia anterior não existiam. Mas o jornal vai existir. Agora, quanto, qual o tamanho, qual o modelo eu não sei. As revistas semanais, trimestrais vão existir? Vão, vão existir, mas qual a função que elas vão cumprir? Eu acho que a gente está confundindo o debate da função do meio. “Se ele não serve para me dar notícia, ele não tem por que existir?”. Tem. Ele pode ser um outro produto nessa constelação. A revolução é absoluta, é absoluta, e o final dela é um grande ponto de interrogação — se é que vai ter final. Precisa ser resolvido, porque não está resolvido qual o modelo econômico vai ser sustentável, de que forma as pessoas vão consumir a informação e o que elas vão querer exatamente de cada um desses meios. Só pra te dar um exemplo: há alguns anos se pensava que o iPad fosse o grande negócio, “em vez do jornal, todos vão consumir o iPad”. Ninguém pensava que os smartphones iriam “comer” o iPad. Nem mesmo entre as tecnologias você tem uma definição do que é o futuro. Veremos… [risos]. Eu só acho que a função de jornalista, que chegou a ser questionada em alguns momentos, jamais vai desaparecer. Pra mim fica cada vez mais claro, principalmente em épocas de eleição. Não sei com vocês, mas comigo tem acontecido: as pessoas mandam um Whatsapp [sic] com alguma coisa dizendo “isso é verdade?”. Ou seja, elas vão atrás de algum profissional da informação para perguntar, para legitimar algo que eles viram em algum lugar. Então, sim, existe uma função. Talvez possamos dizer que nunca foi tão necessário o jornalismo como ele é hoje.

Você é reconhecido pelo “jornalismo combativo” que pratica, apesar do termo ser uma redundância. Como você vê isso?

Como você disse, é uma redundância total falar de jornalismo combativo. Não faça se for outro, desista. Se você for fazer algum outro tipo de jornalismo, deixa pra agência de publicidade, porque é para isso que ela serve. Eu prefiro falar em “resistência”, porque, sim, você pode falar que, no caso do esporte, “ah, derrubou um grupo, veio outro e é igualzinho”. É, mais um motivo para você continuar lá fazendo o que você estava fazendo, para você não terminar enquanto houver uma percepção generalizada de que todo mundo vai estar olhando para aquela pessoa no poder. O mesmo vale para a ONU “faz o bem”, ela ajuda refugiados, famintos, os mais pobres no mundo. Por isso eu não vou olhar se tem corrupção lá? Vou, sim. Vou. E vou querer saber quem é quem, quem foi nomeado, por que aquela pessoa está ali. “Poxa, mas aqui nós estamos fazendo o bem”. Estão, óbvio, mas a minha função é saber porque você está nesse cargo, o que você ganhou com isso. Ou, nessa distribuição de alimentos, quanto você está levando pra você mesmo? Outro dia, no estacionamento da ONU, tinha uma Ferrari estacionada com uma placa diplomática. Eu tirei uma foto, não pra guardar pela Ferrari, mas porque eu queria descobrir quem é a pessoa que tem a coragem de, em uma entidade humanitária, ter um esbanjamento com uma Ferrari vermelha. Quem é essa pessoa que não tem a mínima noção de onde ela está? O que é isso? Você entra em uma igreja xingando o padre? Provavelmente não. Você vai em um lugar que combate a pobreza com uma Ferrari vermelha? E aí, qual é a nossa função? É isso, estar lá e falar “tá, eu quero saber de quem é, eu quero falar com essa pessoa e entender como é que ela tem a coragem de vir aqui com isso”. Então, é pra rodar [os nomes no poder]? Pode ser que só seja isso. Pode ser que daqui a trinta anos, quando eu terminar, eu diga “não consegui fazer nada além de rodar grupos de poder”, mas pelo menos eles rodaram. Eu tenho uma coisa que tento fazer em qualquer uma das viagens, das matérias, das pautas, que é tratar da questão da liberdade. Você pode até dizer “isso não tem nada a ver”, mas tem. Liberdade é você poder saber aquilo e daí tomar uma decisão com base em informações. O que é essa questão de liberdade no futebol? É você saber que o seu time, aquele presidente do seu time ou aquele teu estádio foi feito daquele jeito, que aquela pessoa é aquela, e aí você toma uma decisão. “Eu ainda quero apoiar aquilo ou não?” Essa é a minha parcela, é o que eu posso fazer para você ter um centímetro maior de liberdade. Eu não estou dizendo que eu vou empurrar a linha [por] metros, mas eu acho que se na minha carreira eu conseguir, ao final dela, olhar para trás e achar que um centímetro dessa liberdade foi aumentado, valeu. Não é “jornalismo combativo”, como você mesmo disse. Não dá nem pra repetir, mas o jornalismo que faça resistência e mexa essa linha da liberdade para todo mundo é absolutamente fundamental, e isso não vai acabar. Essa resistência não é ideológica. É resistir ao mundo pós-fato. É a resistência para informar com apuração e dados. Ouvir todos os lados em uma história, garantir o contraditório. É combater a repressão da esquerda ou da direita, de regimes pseudo-religiosos. É a de dar sempre oxigênio para a democracia. É colaborar com a insurreição das mentes. Não uma insurreição armada. Mas sim uma insurreição da informação, da educação. Só isso neutraliza a manipulação das massas, em campo ou na democracia. Só essa insurreição combaterá a desinformação estrategicamente proliferada como fins políticos, o que se dá o nome de Fake News. No Brasil, vimos nas últimas eleições como as instituições não estavam armadas para frear essa onda. E nosso país não é o único que descobre que a mera democratização da tecnologia não significa necessariamente o fortalecimento da democracia. Agora, teremos quatro anos em que seremos testados. A linha fina do Washington Post diz o seguinte: “A Democracia Morre no Escuro”. Eles estão completamente errados. A democracia morre no escuro, no claro, no meio do dia, durante uma festa… A democracia morre. Ela pode ser assassinada, mas é o nosso papel permitir essa sobrevivência.

Qual história engraçada você pode contar da sua carreira?

É a outra parte do jornalismo que eu cito, que é a preparação. Você não pode ir para uma pauta sem saber com quem que você vai falar, qual a história da pessoa e o que exatamente está sendo oferecido. Era a coletiva de imprensa do Fórum Econômico Mundial para apresentar o seu novo diretor. Era em um lugar meio afastado, e eu cheguei uns cinco minutos atrasado. Eu sento lá, vejo o cara falando — parecia uma pessoa bastante impressionante como speaker. O nome dele era um nome latino, mas [falava] um inglês perfeito. Era a apresentação do novo cara.

Quando foi isso?

2004, acho. E aí termina a coletiva de imprensa, e uma outra coisa que eu sempre faço é ir falar com a pessoa — mesmo que não tenha nada para falar —, me apresentar, ver, coisa e tal. Fui lá me apresentar e perguntei para o sujeito: “O nome do senhor é latino. O senhor é de algum país latino-americano?”. Ele me olha, meio estranho, e diz: “Sou. Sou da Costa Rica”. Eu disse: “Poxa, interessante, o que o senhor fazia na Costa Rica?” Ele me olha assim, mais espantado ainda, e diz: “Até a semana passada eu era o presidente da Costa Rica” [risos]. Bobão! Bobão! [risos] Cara, você foi numa coletiva que você não sabe quem era o cara. Daí eu pedi desculpa. Ou seja, preparação é absolutamente fundamental. Tudo bem, depois daquilo ali foi até engraçado, porque sempre que ele me via, ele falava “como vai? Tudo bem?” Pelo menos não me esqueceu mais…

Jamil, o que é mais complexo: a ONU ou a FIFA?

Boa pergunta. Eu acho que ainda é a ONU, pelo seguinte: a FIFA tem oficialmente um produto, que é o futebol, e a ONU tem a humanidade como função. Quando a gente fala, quando a gente critica — e eu critico muito eles, a ONU —, pela ineficiência, pela falta de capacidade de fazer as coisas funcionarem, é porque talvez seja a tarefa mais impossível no mundo você resolver o problema de sete bilhões de pessoas. Quando a ONU foi criada, alguém disse que ela talvez levaria cinqüenta ou sessenta anos para cumprir o seu mandato. Já completou setenta anos, e, a meu ver, o sonho dela ainda nem começou. De repente nunca vai ser feito.

Jornalista graduado pela FACHA. Gaúcho que vive no Rio (mais um). “Goleira” é o conjunto de traves, “gol” é quando a bola entra. Tem uma queda pelo futebol cantado em castelhano e geralmente joga melhor quando ninguém está vendo. Amante de futebol, música, história, cinema, fotografia e apaixonado pelo jornalismo. Do pescoço pra baixo, tudo é canela.

1 Comment

  1. julianoortiz

    dezembro 22, 2021

    Jamil Chade é um P….@ jornalista. Caras do calibre dele, do Marcos Uchoa, da Sônia Bridi, cara, é outro nível ler uma entrevista destes profissionais ou vê-los em ação. Trabalham e pensam em outra frequência. Estão acima da média.
    E a entrevista do Matheus, muito bem estruturada.

    Que baita texto!

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