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Animals

Animais. Foi assim que Alf Ramsey, técnico da Inglaterra na Copa do Mundo de 1966, descreveu a violenta seleção da Argentina.

Dois anos depois daquele mundial, o Manchester United visitava o Estudiantes de La Plata pela Taça Intercontinental de 1968. O grito de guerra dos Pinchas ao receber a equipe local não poderia ser mais sarcástico: “Animals! Animals! Animals!”. Os donos da casa venceram por 1 a 0 e levaram a vantagem para a decisão no Old Trafford.

Tanto a mídia quanto a torcida britânica tratavam a final com grande expectativa. Seria a primeira partida de uma Intercontinental a ser realizada na Inglaterra. Mas a empolgação durou pouco. Aos sete minutos de jogo, um cabeceio no segundo pau foi o suficiente para que Juan Ramón Verón, conhecido como La Bruja, calasse as 63 mil pessoas presentes no Teatro dos Sonhos.

A partida seguiu violenta, assim como já tinha sido na Argentina. Cansados de apanhar, os jogadores do United perderam a paciência a ponto de George Best — o craque do time — ser expulso após dar um soco na cara de José Medina. Nos minutos finais do jogo, o escocês Willie Morgan empatou para os ingleses, mas não foi o suficiente para tirar a taça das mãos do Estudiantes. Os animais conquistavam o mundo.

A fúria dos torcedores ingleses, que atiravam objetos nos campeões, fez com que aquela volta olímpica nunca fosse completada. La Bruja e seus companheiros eram odiados e o apelido de “animais” pegou de vez.

Após mais títulos, despedidas e reencontros, Verón voltou a La Plata em 1981 para aposentar-se como uma lenda do Estudiantes. A idolatria que inspirava fez com que seu apelido fosse passado a seu filho, Juan Sebastián Verón, imediatamente chamado de La Brujita quando vestiu a camisa albirroja nos anos 90.

O início de carreira de La Brujita foi de rápida ascensão. O garoto que estreou profissionalmente pelos Estudiantes em 1994 subiu importantes degraus nos anos seguintes: Boca Juniors, seleção argentina, Sampdoria, Parma e Lazio. Aos 24 anos, já era um multicampeão. Liderou a Lazio na conquista da Supercopa da Uefa e sua exibição de gala naquela decisão contra o próprio United pode ter provocado o destino a saldar uma dívida e curar uma ferida histórica.

Em 12 de julho de 2001, Verón Pai recebia uma irônica notícia vinda da Europa. Seu filho havia sido comprado por £ 28 milhões — valor recorde até então para uma transferência do futebol inglês. Quem pagou? O Manchester United.

Jornalista formado pela UMESP. Escreve para VIP, Sport Witness, Corner e Old Trafford Brasil. Não sabe se quer ser Andrea Pirlo ou John Frusciante quando crescer.

1 Comment

  1. julianoortiz

    julho 30, 2021

    Sensacional!
    Diabluras do futebol.

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