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El Futbolín

Futbolín: esse é nome de Totó [ou Pebolim] na Espanha. Em Portugal, é chamado de “Matraquilhos”, que, aliás, dá nome a um excelente podcast. Na América do Sul é conhecido por Metegol na Argentina e Taca-taca no Chile. Nos EUA é chamado de Foosball; na Inglaterra, Table Football e assim por diante. Em cada lugar tem um nome, regras próprias, materiais da mesa, formato dos bonecos e distribuição dos times.

O jogo surgiu em diferentes pontos do mundo sem nenhuma conexão entre elas. O registro mais antigo se deu no Reino Unido, em 1921, quando Harold Searles Thornton deu entrada na patente do Table Football, que só foi homologada em 1923. Na Espanha, o inventor é Alejandro Finisterre, um galego que, à época, estava refugiado em Montserrat, na Catalunha, durante a Guerra Civil espanhola.

Alejandro Finisterre estudava em Madri alguns meses antes do início dos conflitos quando, após um bombardeio das forças franquistas em 1936, feriu-se gravemente tendo ficado debaixo de escombros. Ele teve de ser enviado primeiramente para Valencia e, depois, para Montserrat, devido à gravidade de seus ferimentos. Foi no “hospital”, que era originalmente um hotel, [Colonia Puig], que Alejandro ficou ao lado de muitas crianças que também precisavam de abrigo.

Ao se recuperar, com o passar do tempo, Alejandro percebeu que muitos garotos mutilados não podiam mais jogar futebol. Ele mesmo relata no documentário “Trás el Futbolín”, de 2006, exibido pela Btv da Catalunha, que sentia pena daquelas crianças. Foi quando ele pensou que se havia tênis de mesa, por que não havia um futebol de mesa?

Foto: Mack Fox

Alejandro nasceu em Finisterra, na Galícia, em 1919, e seu sobrenome era, na verdade, Campos Ramírez, mas adotou Finisterre como sobrenome em alusão ao nome de sua cidade natal, traduzido para o castelhano. Ele desenvolveu um projeto e convidou um carpinteiro basco que também estava lá como refugiado. Mas também precisava de barra de metal e de um vidro para o campo – e esses itens eram muito difíceis de se conseguir em Montserrat.

Ele combinou com outras pessoas pra que conseguissem algumas partes que faltavam em Barcelona, outras em Olessa, e só conseguiram montar tudo em La Puda, uma localidade próxima à Monistrol, onde ele estava.

A patente veio em princípios de 1937, em Barcelona, quando o projeto já tinha relativo sucesso. Alejandro conta que no natal de 1936, seu Futbolín já era jogado com dois defensores, três meio-campistas e cinco atacantes em cada time.

Mas em maio de 1937, a Guerra Civil chegava a Barcelona. Alejandro contou que um companheiro seu do refúgio – que também chegou ferido – teve que fugir para a França e foi quem levou sua invenção para o país vizinho, onde começou a produzir o Futbolín. Finisterre permaneceu na Catalunha até o final da Segunda Guerra Mundial, quando começou a peregrinar pela Espanha até que, finalmente, em 1948, ele se refugia na França, precisamente em Paris, onde percebeu a popularização do jogo.

Alejandro decidiu brigar pela patente do brinquedo, mas seria impossível conter a expansão que o Futbolín já havia conquistado. Na Espanha, por outro lado, não reconheceram Alejandro Finisterre como o inventor devido ao seu posicionamento republicano. Em fevereiro de 1951, disputou-se o primeiro campeonato espanhol da modalidade entre o Club Futbolín Barcelona e o Club Futbolín Valencia no Billares Colón da cidade valenciana.

Em 1952, Alejandro Finisterre migrou para a América. Primeiro esteve em Quito, mas depois foi para a Guatemala, onde fundou uma fábrica de brinquedos: Campos Ramírez y Companhia. E foi na Guatemala onde Finisterre conheceu o jogou algumas partidas de Futbolín com Ernesto Che Guevara. Alejandro comentou que Hilda Gadea, companheira de Che, jogava melhor que o líder revolucionário.

A essa altura, o Futbolín já era uma paixão nacional na Espanha. Nos EUA, Lawrence Patterson introduziu o “Foosball” nos anos 1950, onde teve seu auge na década de 1970, sendo popularmente jogado em diversos bares do país.

A presença de Che Guevara na Guatemala era o prenúncio do cenário político conturbado que o país viveria nos anos seguintes. Em 1954, Carlos Castillo Armas tomou o poder à força com o apoio dos EUA e seu regime estabeleceu relações próximas com o Franquismo, que pressionou o novo governo guatemalteco a obrigar que todos os espanhóis residentes no país se registrassem na embaixada espanhola. Em 1956, após duas tentativas de seqüestro, os irmão Campos Ramírez se viram obrigados a fugir para o México, caso contrário, seriam deportados, cedo ou tarde, para a Espanha de Franco. Sua empresa foi confiscada pelo governo da Guatemala e não tiveram outra opção senão cruzar a fronteira e exilar-se no país vizinho.

No México, Alejandro se reencontrou com o poeta León Felipe, a quem já conhecia desde os tempos em que foi estudar em Madri. A partir daí, Alejandro Finisterre dedicou-se à literatura e não mais ao Futbolín. O inventor do melhor esporte de bar do mundo só voltaria à Espanha após a queda do Franquismo, onde ficaria até falecer em 2007.

Jornalista, publicitário e fotógrafo. Estudou comunicação social na Universidad Nacional de La Plata. Para Martinho, não existe golaço de falta (nem aquele do Roberto Carlos em 1997 contra a França ou de Petković em 2001 contra o Vasco). Aos 11 anos, deixou o cabelo crescer por causa do Maldini. Boicota o acordo ortográfico.

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