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O quinto Beatle

Gols, bebidas, carros e mulheres. George Best: o maior rockstar que o futebol já viu

A arte pela arte. Dribles displicentes, jogadas individuais e uma lista de golaços. Se era esse o comportamento de George Best dentro das quatro linhas, foi também assim que o norte-irlandês ficou famoso fora delas. A habilidade nos pés transformou o garoto de Belfast em um dos maiores jogadores de futebol da história. Sua personalidade, no entanto, fez com que — cedo demais — este conto tivesse um fim.

George tinha apenas 15 anos quando foi selecionado por Bob Bishop, então olheiro do Manchester United. A mensagem de Bob para o treinador Matt Busby foi curta e grossa: “Acho que encontrei um gênio.”

O jogador chegou a Manchester num período complicado: a tragédia de Munique ainda era uma nuvem negra que pairava sobre o clube, já que o United não vencia a liga inglesa desde o desastre aéreo que matou oito jogadores. Mas o norte-irlandês chegou mostrando serviço. Em suas cinco primeiras temporadas em Old Trafford, ele venceu uma FA Youth Cup, duas ligas inglesas, duas Charity Shields e uma European Cup.

“Se eu tivesse nascido feio, você nunca teria ouvido falar de Pelé.”

Foram anos arrasadores. Chamado de “Garrincha europeu”, Best era dono de habilidades que o diferenciava totalmente do futebol britânico da época. Chegava a ser criticado por preferir o drible à objetividade, mas não ligava: levava a vida assim. Provocava os adversários, mostrava que era o melhor e, ocasionalmente, decidia o jogo. Dificilmente fazia um gol feio. Marcou golaços na semifinal e na final da European Cup — antiga Copa dos Campeões da Europa — de 1968, contra Real Madrid e Benfica respectivamente. Ele foi o vencedor do Ballon d’Or naquele ano.

Bonito, famoso e carismático, Best ganhou o apelido de “quinto Beatle”, tamanho o sucesso atingido. Ele chegou a namorar diversas modelos e atrizes famosas da época. Empolgado com o sucesso, chegou a construir uma casa que se tornou atração turística em Manchester: paredes de vidro, mesas de bilhar e piscina interna. As festas com mulheres ficaram famosas e a casa era diariamente cercada por turistas que queriam dar uma espiada no lar do craque. E foi no auge da fama que sua carreira futebolística entrou em colapso. Os problemas de Best com a bebida sempre foram públicos. Suas “fugas” com mulheres chegam a ser cômicas.

“Se você me fizesse escolher entre passar por quatro jogadores e marcar um golaço contra o Liverpool ou ir para a cama com a Miss Universo, seria uma escolha difícil. Felizmente, eu fiz os dois.”

Antes da final da European Cup vencida em 1968, enquanto o time do United se concentrava, Best escapou e passou a noite com “uma garota chamada Sue”. Em 1971, George faltou a uma semana de treinos. Ele passou esse tempo com Carolyn Moor, a Miss Grã-Bretanha da época. No mesmo ano, foi suspenso por duas semanas por perder o trem para Stamford Bridge. Best ficou desaparecido durante aquele fim de semana, até ser encontrado no apartamento da atriz Sinéad Cusack.

“Eu gastei um monte de dinheiro em bebidas, garotas e carros velozes. O resto eu desperdicei.”

Em 1972, após cinco temporadas seguidas como artilheiro do time, George Best anunciou sua aposentadoria do futebol aos 26 anos. Como se nada houvesse acontecido, voltou a treinar na pré-temporada seguinte. Jogou por mais uma temporada e, em 1973, anunciou a aposentadoria novamente. Mais uma vez, voltou a treinar e jogou por mais meia temporada pelo Manchester United. Com diversos problemas extracampo, finalmente deixou o clube.

“Em 1969 eu larguei as mulheres e o álcool. Foram os piores vinte minutos da minha vida.”

Ele passou por Jewish Guild, Dunstable Town, Stockport County, Cork Celtic, Los Angeles Aztecs, Fort Lauderdale Strikers, Hibernian, San Jose Earthquakes, Sea Bee, Hong Kong Rangers, Bournemouth, Brisbane, Osborne Park Galeb, Nuneaton Borough e Tobermore United antes de parar oficialmente.

Após uma longa luta contra a cirrose, Best morreu no dia 25 de novembro de 2005. Antes de falecer, pediu para que um fotógrafo do “News of the World” tirasse uma foto dele e a publicasse com a seguinte mensagem: “Não morra como eu.”

Até hoje, George Best é considerado um dos maiores jogadores da história do Manchester United. Junto com Bobby Charlton e Dennis Law, ele faz parte da “United Trinity”, com direito a uma estátua em frente ao Old Trafford. O aeroporto de Belfast é chamado “George Best Airport”. No hospital em que morreu, uma das homenagens recebidas foi uma bola autografada com os dizeres: “Do segundo melhor jogador do mundo, Pelé.”

Jornalista formado pela UMESP. Escreve para VIP, Sport Witness, Corner e Old Trafford Brasil. Não sabe se quer ser Andrea Pirlo ou John Frusciante quando crescer.