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Recôndito olhar

Nelson Rodrigues — um pernambucano consagrado no Rio de Janeiro — deixou registradas algumas frases que se consolidaram como verdades mesmo com o passar das décadas: “No futebol, quem só vê a bola é cego”. Pois bem, o cineasta carioca — com nome e sobrenome tipicamente galegos —, Luciano Pérez Fernández, foi buscar no sertão nordestino a prova cabal de que o futebol é uma manifestação cultural de percepção sensorial mais profunda do que se imagina.

O Beautiful Game longe dos holofotes quase solares dos estádios da Champions League, e sim no abléptico sol do interior de Pernambuco. O personagem chave do filme de Luciano sintetiza exatamente aquilo que todo mundo crê e não encontra palavras para expressar.

A paisagem ábdita, o cenário simples, o sol escaldante, a realidade. Tudo ali. Nada mais verdadeiro. O glamour da falta de glamour. A sensibilidade em seu estado mais bruto. Uma boca de fogo e um recôndito olhar.

Jornalista, publicitário e fotógrafo. Estudou comunicação social na Universidad Nacional de La Plata. Para Martinho, não existe golaço de falta (nem aquele do Roberto Carlos em 1997 contra a França ou de Petković em 2001 contra o Vasco). Aos 11 anos, deixou o cabelo crescer por causa do Maldini. Boicota o acordo ortográfico.

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