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Sucker for Soccer

Zoran Lucić é o designer por trás da série de pôsteres Sucker for Soccer, cujo nome não tem nenhuma explicação além da rima, segundo o próprio artista. Mas em tradução livre, quer dizer algo como Tarado por Futebol. Seu trabalho já aparece como uma das referências mundiais do design gráfico quando o assunto é futebol. Um croata de nascimento, filho de pais sérvios, que atualmente vive na Bósnia, especificamente em Bijeljina, cidade onde nasceu o pai de Zlatan Ibrahimovič.

O designer falou à Corner sobre sua relação com o futebol, suas influências artísticas e seus trabalhos favoritos. Mas, quando o assunto inevitavelmente assumiu matizes políticos, sua gentil recusa a se posicionar mostrou a real profundidade das questões balcânicas. Lucić é o que se poderia chamar de “pós-iugoslavo”. O termo abrange parte da problemática dos Bálcãs, que não pode jamais ser vista apenas como uma curiosidade. Devoto de Ronaldo, mostrou-se disposto a morar no Brasil e apresentou suas motivações.

Como e quando você começou seu trabalho?

Comecei em 2006. Fazia logos, pôsteres para bandas punk locais, shows de rock, festivais, etc.

Qual a maior influência direta para o seu estilo?

Existem algumas influências bem diferentes umas das outras. O design suíço dos anos 60 e 70, David Carson, Ed Fella, Malevich e tatuagens de prisão russas, apenas para citar alguns exemplos.

Quando você começou a misturar ilustrações e futebol? Você pretendia ser conhecido mundialmente?

Criei as primeiras ilustrações durante a Eurocopa de 2008. Eu não esperava atrair tanta atenção no início. Tratava-se de um pequeno projeto pessoal. Fico lisonjeado pelo reconhecimento ao meu trabalho.

Você tende a escolher jogadores com um perfil mais controverso. Quais são as suas inspirações no futebol e como se dá a escolha dos personagens das ilustrações?

Futebol é mais do que um jogo, como já sabemos. É um fenômeno social e cultural. No início, eu escolhia jogadores controversos. Aqueles sujeitos que se sentiam acima do bem e do mal como George Best, Diego Maradona ou Éric Cantona. Depois expandi o critério para a qualidade dos jogadores ou sua história.

Você tem um trabalho preferido?

Relacionado ao futebol, meu melhor trabalho é definitivamente o de Ronaldo com a camisa do PSV.

Como você vê outras artes relacionadas com o futebol? Literatura, cinema, pintura…

Muito fraco. Bem capenga, na minha humilde opinião. Essa também foi uma das minhas motivações para criar os pôsteres. Quase não se vê nada bacana relacionado a futebol.

Na Europa se considera impossível misturar futebol, cultura e arte. Embora seja uma parte importante da vida cultural e social das pessoas daqui, o futebol sempre foi visto como algo superficial, “alimento para mentes vazias”. Sempre me perguntaram por que alguém com meu talento tinha o futebol como inspiração. E eu vejo isso de maneira bem diferente.

O que você acha sobre o trabalho visual da FIFA e da UEFA nos eventos e competições que organizam?

Acho comercial demais. Não é ruim, mas acho que deveriam se esforçar mais no aspecto visual do jogo. O futebol merece.

Você tem um time de infância?

Sim, o Dínamo Zagreb.

Qual o melhor jogador que viu jogar? Há alguém que seja o melhor de todos os tempos para você?

O maior talento que vi foi Ronaldo, o gordo. Mas acho que ninguém viu o melhor dele. Sobre o melhor de todos os tempos, meu critério passaria pela mentalidade vencedora, influência em campo, entre outras coisas. Eu teria que escolher Zidane e Maradona. Esses dois têm algo de Michael Jordan em suas ilustres carreiras.

Você é um croata que vive na Bósnia, mas que também morou na Alemanha, Hungria, Áustria, Sérvia e Portugal. Você se considera iugoslavo, europeu ou sempre um estrangeiro?

Em síntese, me considero muito mais um cidadão do mundo do que um europeu.

Com relação ao Kosovo e todas as questões envolvidas, como você se posiciona?

Por favor, não quero falar sobre política. Vivi uma guerra. Não agüento mais política. Nunca estive no Kosovo e prefiro manter minha boca fechada sobre esse assunto, afinal, eu não tenho uma opinião sobre isso. O fato de ser um croata e morar na Bósnia já é um enorme problema. É uma situação muito complicada, que me faz querer me mudar daqui.

E você tem planos de morar fora nos próximos anos? Para onde você se mudaria?

Sim! Penso em me mudar para outro continente em breve. Ainda não decidi, mas pensei em alguns lugares como São Francisco, Portland, São Paulo, Rio de Janeiro ou Buenos Aires.

Jornalista, publicitário e fotógrafo. Estudou comunicação social na Universidad Nacional de La Plata. Para Martinho, não existe golaço de falta (nem aquele do Roberto Carlos em 1997 contra a França ou de Petković em 2001 contra o Vasco). Aos 11 anos, deixou o cabelo crescer por causa do Maldini. Boicota o acordo ortográfico.

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