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Treze

Aquele número que passou a simbolizar um lado na política brasileira. Esse lado não é da esquerda em si, da oposição ao desgoverno Bolsonaro nem de um partido, mas o lado de um país polarizado. Da mesma forma, uma polarização pode ser vista entre dois personagens de uma época do futebol brasileiro, quando o País ainda era comandado por militares.

De um lado, Cláudio Coutinho e sua formação militar. Do outro, Sócrates e sua ideologia. Disciplina versus rebeldia. Duas linhas de pensamento que marcaram os dois clubes mais populares do Brasil quase que concomitantemente. Logo após o Flamengo ser formatado por Cláudio Coutinho e seu rigor tático, aliado à técnica com a qual acabaria conquistando o mundo, o Corinthians iniciava um processo singular de auto-gestão, sem hierarquia, intitulado Democracia Corinthiana, e que logo conquistaria o Brasil, não em forma de títulos, mas como um modelo de governo democrático tão ansiado.

Coutinho e Sócrates teriam fins trágicos e precoces por meios completamente diferentes. Um foi vítima de um mergulho mal-sucedido; o outro, sentenciado por uma relação duradoura com o álcool.

Este vício é permitido enquanto droga e mata qualquer um que tente abusar dele. Foi assim com Garrincha. Foi assim com George Best. Quase foi assim com Brian Clough. E Tony Adams, emblemático capitão do Arsenal, conseguiu se salvar a tempo.

No Reino Unido, a cultura etílica relacionada a futebol é tradicionalíssima. O hooliganismo permeia esse meio de campo. Após a tragédia de Heysel e a punição aos clubes ingleses, o futebol do país atravessou um isolamento na Europa, que culminou com o desastre de Hillsborough. Finalmente veio o Relatório Taylor, que traria no seu vácuo uma revolução chamada Premier League; e logo chegaria um senhor francês para mudar o Arsenal de Tony Adams para sempre.

Foi nesse contexto de abertura do futebol inglês que surgiu Ian Wright, um jogador com formação e espírito de um amador, que marcaria época nos Gunners e faria dupla com Thierry Henry, aquele que se tornaria símbolo do inesquecível e invencível Arsenal de Arsène Wenger.

Antes de Heysel, quando os times ingleses dominaram a Europa, Birmingham virou a capital do futebol europeu com a conquista da Champions League. Famosa ela já era pelo o heavy metal, com a projeção mundial de Black Sabbath e Ozzy Osbourne.

Nesta edição, você também vai viajar mais ao norte, até Sheffield, onde houve a primeira competição de futebol — ou algo muito parecido com isso. Depois, viaja de volta a Londres para ver uma incursão ao estádio The Den, do temido Millwall, não pelo futebol jogado, mas pela fama de seus torcedores.

Dessas camadas mais violentas do futebol e da sociedade surgem jogadores como Andre Gray, que traz consigo marcas de uma vida sem lei e coloca em contraste ideologias que se polarizaram na Inglaterra e derivaram no Brexit. No Brasil, a polarização ideológica leva à busca por dois modelos representados nas figuras de Coutinho e Sócrates.

Jornalista, publicitário e fotógrafo. Estudou comunicação social na Universidad Nacional de La Plata. Para Martinho, não existe golaço de falta (nem aquele do Roberto Carlos em 1997 contra a França ou de Petković em 2001 contra o Vasco). Aos 11 anos, deixou o cabelo crescer por causa do Maldini. Boicota o acordo ortográfico.