Carrinho de compras

Nenhum produto no carrinho.

Uma capital sem derby

DWS, o clube de Amsterdã que fez frente ao Ajax

É algo comum nas grandes capitais europeias a rivalidade entre clubes locais. Londres e sua infinidade de instituições, desde as gigantes até as nanicas, que fazem clássicos de bairro; Madri, com Real, Atlético e o tradicional Rayo Vallecano; Berlim, representado pelo Hertha, equipe tradicional do lado Ocidental, e o Union Berlin, vindo da antiga parte Oriental e que cresceu muito no cenário local; sem falar da capital italiana, onde a rivalidade entre Roma e Lazio é uma das maiores da Itália.

Em Paris, apesar de parecer “a cidade do PSG”, tem uma cultura de clubes que fizeram bastante sucesso. Além daquele que domina o futebol atual na França, com sua história breve, já que surgiu nos anos 1970, a capital tem o tradicional Red Star, fundado por Jules Rimet, campeão francês que, hoje, perambula pelas divisões inferiores. A metrópole ainda tem o Racing Club de France nas divisões amadoras, clube que já foi campeão nacional e chegou a ter Enzo Francescoli em seu plantel até o fim dos anos 1980. Na Ligue 2, ainda há o Paris FC, fundado em 1969, que recentemente passou a receber grande investimento do governo do Bahrein. Suspeita-se que, no futuro, haverá um duelo entre monarquias do Oriente Médio na “Cidade Luz”.

Porém, existe uma capital de um país importante onde um clube domina o futebol nacional por muito tempo sem ter um rival relevante. Essa cidade é Amsterdã, capital dos Países Baixos. Fundado em 1900, o Ajax é o grande campeão do país, com 35 campeonatos nacionais, vinte Copas da Holanda, quatro Champions League e uma infinidade de outros troféus nacionais e internacionais.

Os grandes rivais do Ajax são o Feyenoord, de Roterdã, uma das principais cidades dos Países Baixos, e o PSV, de Eindhoven, cujo time é potencializado pela empresa Philips. Ou seja: o Ajax não tem rivais em sua própria cidade. Pelo menos, não na atualidade. Se pegarmos os clubes participantes dos campeonatos profissionais do país, primeira e segunda divisões, não veremos outro time de Amsterdã. 

Para não falar que não tem um sequer, na segunda divisão joga o time B do Ajax, o Jong Ajax. Na terceira divisão, já com participantes amadores, temos o Amsterdamsche Football Club, mais conhecido como AFC. Fundado em 1895, o clube atualmente é o “capitalino” que joga uma divisão mais avançada na pirâmide do futebol neerlandês depois do Ajax.

O AFC já teve Rinus Michels em seu banco antes de o técnico alcançar o sucesso no Ajax. Porém, nunca chegou longe. Na temporada 2018/19, ele foi o campeão da terceira divisão, mas, devido à renovação no sistema de campeonatos dos Países Baixos, o acesso não foi concretizado, negando ao AFC a participação inédita na segunda divisão.

Assim, para acharmos outro clube de Amsterdã com títulos e história na elite neerlandesa, é necessário ir bem fundo: a Tweede Klasse, nome da sétima divisão do país, conta com o DWS, único clube de Amsterdã, além do Ajax, a ser campeão nacional em sua era profissional.

DWS é a abreviação de Door Wilskracht Sterk, que, em português, significa algo como “Por forte força de vontade”. Hoje, no amadorismo, esse nome pode até fazer mais sentido, mas, nos anos 1960, esse clube meteu medo no Ajax e também em outros grandes da Europa.


Os inícios do “outro clube de Amsterdã”

O DWS foi fundado em 1907, mas começou sua história com o nome de Fortuna. Logo depois ficou conhecido como Hercules.  Só em 1909 ele passou a ser conhecido por essa sigla e a jogar com um uniforme que é utilizado até hoje: camisa com listras azul e preto, similar à da Inter de Milão, e calção branco. Era, inclusive, uma instituição ligada à classe operária.

Naquela época, o futebol praticado nos Países Baixos era amador. O principal clube de Amsterdã era o RAP, único da capital a ser campeão nacional até então, ganhando cinco vezes. O detalhe é que todos esses títulos foram antes de 1900. Essa equipe encerrou as atividades em 1914, antes do boom do Ajax.

Para se ter uma ideia, o primeiro título nacional do Ajax veio em 1917, na Copa da Holanda, enquanto o primeiro do campeonato holandês, só em 1918. O DWS, pelo menos nessa época, nem sonhava com a glória das primeiras divisões. Seu primeiro título foi o da Tweede Klasse, em 1931, que naqueles tempos era o nome da segunda divisão.

Para jogar o campeonato holandês, os times se enfrentavam em grupos regionais no que ficou conhecido como Eerste klasse. Em 1935, 1938, 1939, 1951 e 1954, o DWS conseguiu ser o primeiro de sua chave e participar do torneio que definiria o campeão nacional.

Em 1935, ele caiu em um grupo diferente do do Ajax e acabou com a vaga para o que podemos chamar, hoje, de Campeonato Holandês. Na competição nacional, o DWS terminou em último, superado pelo campeão PSV, além de Go Ahead Eagles, Ajax e Velocitas. Naquele ano, aconteceram os primeiros duelos entre DWS e Ajax, que terminaram com duas derrotas do time azul e preto.

Em 1938, o DWS caiu no mesmo grupo que o Ajax, mas conseguiu o primeiro lugar da chave e se classificou para o torneio que valia a conquista nacional. Contudo, não chegou perto de ser campeão. Ficou em terceiro, atrás do Heracles Almelo e do campeão Feyenoord.

O destaque da equipe do DWS àquela época era o defensor Bertus Caldenhove. Naquele ano de 1938, ele, inclusive, jogou a Copa do Mundo da França. Caldenhove esteve em campo no único jogo dos Países Baixos naquela competição, na derrota por 3 a 0 para a Tchecoslováquia, que eliminou a seleção laranja do torneio mundial. O zagueiro defendeu o time azul e preto de Amsterdã entre 1931 e 1940, sendo, até hoje, o único atleta do DWS a ser convocado para a mais importante competição do futebol mundial.

Em 1939, sem o Ajax em seu grupo, o DWS terminou em primeiro novamente. Contudo, o famoso clube de Amsterdã deu o troco pelo que havia acontecido no ano anterior, na fase que valia o título nacional. Ajax campeão holandês, com o DWS vice-campeão, com dois empates entre eles.

Já em 1944, o campeão foi o De Volewijckers, também de Amsterdã, clube verde e branco que, anos depois, se uniria ao DWS em um ousado plano para criar um “outro super clube” da capital. Outra agremiação da cidade que também tinha ótimos elencos e colecionava bons resultados nos campeonatos era o Blauw-Wit, que também faria parte dessa fusão.

Sete anos depois, em 1951, o DWS ficou mais uma vez no quase. O PSV levou o título nacional, três pontos à frente do time de Amsterdã. Em 1954, DWS se classificou novamente para a fase final, desta vez deixando o Ajax de fora, com ambos empatados em pontos. Porém, terminou em quarto no torneio nacional, enquanto a taça foi para o rival local do time da Philips, o FC Eindhoven.

O campeonato de 1954 ficou marcado como o último torneio nacional amador de futebol dos Países Baixos. Um ano depois, pela primeira vez, o campeonato seguiu um regime profissional. O torneio se manteve igual, com equipes divididas em grupos regionalizados, com uma diferença: mais clubes eram rebaixados, já que a ideia era ter um campeonato nacional unificado, invés de ter vários grupos por localização. 

No primeiro ano de profissionalismo, 1955, o DWS não foi bem. O clube terminou em décimo lugar, e estreou sendo rebaixado para a segunda divisão, que manteria o nome Eerste Klasse, já que a elite seria a Hoofdklasse. O primeiro campeão profissional do futebol holandês foi o Willem II, de Tilburgo.

O DWS voltou a flertar com a elite já em 1956, quando terminou na segunda colocação de seu grupo na Eerste Klasse. O acesso não veio, mas, pelo menos, o clube se garantiu para o próximo torneio, já que, por conta de uma nova reestruturação no futebol local, a Eerste Klasse viraria a terceira divisão nacional, a primeira para clubes amadores. A partir da temporada 1956/57, a primeira divisão enfim seria conhecida como Eredivisie (Divisão Honorária, em português), nome mantido até hoje, e a segunda passaria a ser a Eerste Divisie (Primeira Divisão, em português).

Na nova segunda divisão holandesa, o DWS não teve bom desempenho nos primeiros anos: décimo quinto em 1957 e décimo primeiro em 1958. Péssimos resultados, mas, mesmo assim, ele voltou à primeira divisão. Como? Uma fusão com “as ovelhas negras” de Amsterdã.

A união com as “ovelhas negras”

No primeiro ano do profissionalismo holandês, em 1955, houve dois campeonatos: um organizado pela NBVB, instituição criada para promover a profissionalização do futebol do país; outro organizado pela Real Associação Neerlandesa de Futebol (KNVB). A entidade que rege o futebol holandês era contrária ao profissionalismo, mas teve de ceder devido à enorme pressão dos clubes. Com isso, um campeonato profissional unificado entre as federações foi criado.

Antes da unificação do campeonato nacional dos Países Baixos, o torneio da NBVB não tinha um representante da capital. Assim, um grande empresário da cidade, Dingeman Stoop, fundou, em junho de 1954, o BVC Amsterdam, sendo BVC a sigla para Beroepsvoetbalclub, que, literalmente, quer dizer Clube de Futebol Profissional. A instituição tinha como mascote uma ovelha negra, uma piada por fazer parte da liga “clandestina” do futebol do país. A competição começou em setembro do mesmo ano da fundação do clube, mas, depois de dez rodadas, foi interrompido, porque NBVB e KNVB entraram em um consenso.

Porém, o investimento já havia sido feito. O BVC, por exemplo, tinha contratado um jogador da seleção dos Países Baixos, Hans Boskamp, que jogava no Ajax. Os investimentos de Dingeman Stoop não seriam jogados no lixo. Nas três primeiras temporadas na elite neerlandesa, o BVC terminou em oitavo, décimo terceiro e décimo quinto, respectivamente, longe da zona de rebaixamento. Em 1957, inclusive, ele venceu o Ajax em um estádio lotado.

Para Dingeman Stoop, esse desempenho era insignificante para o tamanho do investimento que fora feito. Assim, no fim da temporada 1957/58, ele colocou seu plano em prática: aproveitou a história no futebol que o DWS tinha, e conseguiu fechar a fusão dos dois clubes. A nova instituição manteria o azul e preto do DWS, mas passaria a se chamar DWS/A ou DWS/Amsterdam. Eram os “ricos sem história” comprando a tradição dos “operários sem dinheiro”. Isso explica o DWS na Eredivisie na temporada 1958/59. 

Para não dizer que tudo saiu como previsto por Dingeman Stoop, um grupo de torcedores do BVC insatisfeitos com a fusão criou um clube em 1959, o De Zwarte Schapen (“A Ovelha Negra”), que existe até hoje e joga a segunda divisão, mas com o nome de Almere City.

Início difícil e glória repentina na Eredivisie

Com a estrutura e alguns jogadores do BVC aliados à sua tradição, muitos imaginaram que o DWS/A, como ficou conhecido por apenas quatro anos, começaria bem na elite holandesa. Porém, não foi bem assim.

Um dos remanescentes do BVC foi o lateral-esquerdo Hans Boskamp, um dos principais investimentos do empresário Dingeman Stoop para o clube. Rinus Israel era outro jogador formidável que fazia parte do elenco, e mais tarde fez história no Feyenoord. Contudo, o destaque foi, na verdade, Frans Geurtsen. O atacante, que chegou ao DWS por oitenta mil florins em 1963, foi o artilheiro da segunda divisão de 1963, com 28 gols, e da Eredivisie de 1964, com outros 23 gols, na campanha que ficaria para sempre na história do clube.

Na temporada 1961/62, o DWS foi rebaixado e teria novamente de lutar por um lugar na Eredivisie no ano seguinte, o que conseguiu após o título do torneio. Já no campeonato de 1963/64, a tradição virou taça num feito até hoje inédito: subir da segunda para a primeira divisão e ser campeão na temporada posterior. Vale destacar também que, em 1964, o DWS foi o primeiro a contratar jogadores para se dedicarem exclusivamente ao exercício do futebol.

O DWS de 1964 foi o último clube a ser campeão holandês que não usava uniforme alvirrubro. Desde então, apenas Ajax, Feyenoord, PSV, AZ e Twente levantaram a taça da Eredivisie, e todos com uniforme vermelho e branco. Para se ter uma ideia, o último que chegou perto de quebrar esse tabu foi o Heerenveen, azul e branco, vice-campeão de 1999/2000.

Na temporada seguinte, o sonho do segundo título do DWS foi frustrado por um dos heróis do ano anterior. No início de 1965, o goleiro Jan Jongbloed, convocado, inclusive, para a seleção dos Países Baixos, foi protagonista do caso mais marcante de discriminação no futebol nacional. Num clássico tenso com o Ajax, no dia 17 de janeiro de 1965, ele, que uma década depois disputaria duas Copas do Mundo, supostamente chamou o atacante adversário Bennie Muller de “judeu podre sujo”. Pela falta de imagens e provas, surgiu a versão de que o Ajax levou a denúncia à frente contra o goleiro somente para atrapalhar o sucesso do DWS. É bom lembrar que o Ajax é um clube com fortes ligações com a comunidade judaica do país. A partida polêmica terminou empatada em 1 a 1.

Após duas semanas de investigações e entrevistas com jogadores, a KNVB puniu Jan Jongbloed com duas partidas de suspensão, apesar de não ter sido possível concluir se ele realmente xingou Bennie Muller. O goleiro ficou fora dos jogos contra o vice-líder Feyenoord e o Fortuna 54, que renderam duas derrotas ao DWS.

Pior do que isso foi o que aconteceu na Copa da Europa de 1964/65 (antiga Champions League). O clube jogaria pelas quartas de final do torneio e poderia alcançar o histórico resultado de estar entre os quatro principais clubes europeus da temporada. Mas, mesmo com o retorno de Jongbloed,  o foco do time já não era o mesmo depois do que aconteceu na Eredivisie.

O DWS havia deixado para trás os turcos do Fenerbahçe, com o placar agregado de 4 a 1, e o Lyn Oslo, da Noruega, que foi despachado com os placares de 5 a 1 e 3 a 0.

Porém, com a crise ainda na cabeça de todos os jogadores, o DWS recebeu o Győri Vasas ETO, da Hungria. O resultado final do duelo foi um empate em 1 a 1, com falha de Jongbloed. No jogo de volta, nos minutos finais da partida em Győr, o goleiro errou novamente e László Povászsai fez o gol da vitória e da classificação dos húngaros. O time, hoje conhecido como Győri ETO FC, viveu seu apogeu nos anos 1980, apesar de ter essa campanha como a melhor da sua história, alcançando a semifinal e caindo para o Benfica de Eusébio por 5 a 0.

Em menos de uma semana, o sonho de dominar os Países Baixos e a Europa se esvaiu. Se Jongbloed falou o que Muller afirmou, só os dois sabem. O que se tem certeza é que a consequência do episódio foi trágica para o DWS na temporada. E o título nacional seria absolutamente histórico até hoje, já que os hegemônicos Feyenoord, Ajax e PSV só não ganharam por dois anos seguidos em 1958 e em 1959, quando DOS e Sparta Rotterdam levantaram as taças. Depois, o DWS venceu em 1964, o AZ Alkmaar em 1981 e 2009 e, por fim, o Twente em 2010.

O último voo europeu do DWS foi a Taça das Cidades com Feiras de 1968/69, precursora da Europa League. A campanha começou com a eliminação de um rival do país vizinho, o Beershot, da Béglica, por 3 a 2 no agregado. Depois, um duelo contra o Chelsea. O curioso é que foram dois 0 a 0, com direito a prorrogação, que terminou empatada em 0 a 0 também. Como na época não havia disputa de pênaltis, o time dos Países Baixos venceu os ingleses no cara ou coroa.

Depois dessa classificação “heroica” na moeda, o DWS não foi páreo para os Rangers, de Glasgow, e foi eliminado pelo placar agregado de 4 a 1. O destaque da equipe holandesa foi Rob Rensenbrink, atacante que seria vice-campeão das Copas do Mundo de 1974 e 1978 e que defendeu o DWS de 1965 a 1969. Ele jogou ainda no Club Brugge, da Bélgica, mas estourou mesmo foi no rival Anderlecht, bicampeão da Taça dos Clubes Vencedores de Taças e bicampeão da Supercopa da Europa. 

A super fusão que deu em qualquer coisa

A partir desta jornada na Taça das Cidades com Feiras, a história do DWS não tem mais glórias. Em 1972, uma nova fusão acontece, dessa vez com o Blauw-Wit, e surge o FC Amsterdam. Na temporada seguinte, o De Volewijckers, campeão holandês de 1944, também se junta aos dois. Três clubes tradicionais de Amsterdã.

A nova fusão foi novamente articulada — veja só — por Dingeman Stoop, que havia unido DWS e BVC anos antes. O objetivo seria transformar o FC Amsterdam em um rival do Ajax que lutasse constantemente pelo título nacional. Mas, mesmo juntando três clubes tradicionais da capital, o sonho não foi possível.

O início foi promissor. Em sua segunda temporada, um quinto lugar, que garantiu vaga à Copa da UEFA de 1974/75, competição que, hoje, conhecemos como Europa League. Nela, o FC Amsterdam alcançou as quartas de final, após eliminar a poderosa Inter de Milão, e foi eliminado pelos alemães do Colônia.

Mas os bons ventos passaram logo. Na temporada 1977/78, o clube já estava novamente rebaixado. A identidade se foi de uma forma tão abrupta que, em 1980, não havia mais necessidade de jogar no Estádio Olímpico, pois não havia público suficiente. Em 1982, o FC Amsterdam fechou suas portas. O plano de Dingeman Stoop de ter outro clube gigante na capital holandesa falhou de maneira retumbante.

O retorno ao amadorismo

Com o fracasso do FC Amsterdã, o DWS, como clube profissional, deixou de existir. Contudo, isso não significava o fim da tradicional agremiação de Amsterdã. O DWS continuou competindo nas divisões mais baixas do país, e são os jogadores e torcedores que mantêm seu nome vivo até hoje.

No fim dos anos 1970, os jovens Frank Rijkaard e Ruud Gullit fizeram parte das categorias de base do DWS. Ambos cresceram nas periferias de Amsterdã, filhos dos jogadores surinameses Herman Rijkaard e George Gullit, e foram acolhidos pelo clube, que era muito identificado com a classe operária desde sua fundação. O primeiro acabou contratado pelo antigo maior rival, o Ajax, estreando profissionalmente anos mais tarde. O segundo foi para o HFC Haarlem. Eles voltaram a se encontrar na seleção e no AC Milan, da Itália.

O DWS se mantém até hoje no amadorismo. O clube participa da Tweede Klasse, a sétima divisão, e também da Vierde Klasse, a nona. A diferença é que a primeira é disputada aos domingos e a segunda, aos sábados. Isso se dá porque, quando o futebol no país engatinhava, existiam clubes que só aceitavam jogar aos sábados. Esses eram fundados, dirigidos e mantidos por neerlandeses protestantes. Já aos domingos, apenas os clubes dos operários e dos católicos entravam em campo. Até hoje, as divisões amadoras são divididas entre sábado e domingo.

De volta ao DWS, o seu último título foi em 2006/2007, quando levantou a taça da Eerste Klasse, a sexta divisão. Um clube que respira, mas que está muito longe das glórias do passado. Enquanto isso, o Ajax se perpetua, nacional e internacionalmente, como o único símbolo do futebol de Amsterdã.