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Veertien

Nunca uma edição da Corner teve seu número associado à camisa de um ex-jogador. Faltava uma boa desculpa. Iria acontecer em algum momento, mas 2021 marcou cinco anos do falecimento de Johan Cruijff, um gênio sem precedentes na história do futebol. Eis que calhou justamente nesse ano em que seria publicada a décima quarta edição da revista. Além disso, o assunto “futebol neerlandês” já era um anseio editorial antigo.  

O “gênio” de Johan Cruijff, no sentido de seu temperamento, foi o ponto de partida dessa edição e também do livro de Miguel Lourenço Pereira, que aborda a figura do ex-camisa 14, que nem sempre usou este número, embora tenha ficado mundialmente conhecido por ele. Entender Cruijff para além de sua pseudo-rebeldia em não vestir o uniforme da Adidas. Olhar para a pessoa e não para o mito em torno dele. Essas são as premissas que levaram a Corner a encomendar o livro “Johan: A Anatomia de um gênio”.

Foi esse caráter ambicioso que levou Cruijff a jogar na liga norte-americana, no Levante da Espanha e no Feyenoord Rotterdam, e essas histórias estão nesta edição. Aliás, Roterdã alberga o clube mais antigo em atividade do futebol holandês, o Sparta, e o seu estádio tem uma fachada que também mereceu destaque neste número.

No entanto, o primeiro clube a vencer um campeonato que pode ser chamado de holandês foi outra agremiação da cidade cujo porto é o da Europa. Nem Feyenoord, nem Sparta. O primeiro campeão não-oficial dos Países Baixos foi o VV Concordia, mas esse é só o começo de uma história que conta o título “europeu” conquistado pelo R.A.P. de Amsterdã e marca o início da rivalidade futebolística entre as duas principais cidades daquilo que realmente pode ser chamado de Holanda.

Amsterdã fica na província da Holanda no Norte, enquanto Roterdã, na Holanda do Sul. Essas duas regiões formam a “Holanda”, porém os Países Baixos têm várias outras regiões e o debate sobre o nome do país gera divergências até dentro do próprio território. Mas o fato é que a rivalidade entre as principais metrópoles derivou no futebol com o famoso De Klassieker.

O Feyenoord foi o primeiro holandês a conquistar a Copa dos Campeões, mas logo depois veio o Ajax de Cruijff, comandado por Rinus Michels, que dominou a Europa e projetou o craque do time com o vice-campeonato da Copa de 1974. Esse resultado colocou a Oranje em evidência no Mundial seguinte, em 1978, e a partir dali outra história foi escrita. A edição 14 da Corner “Espreme a Laranja” muito bem, sem deixar de citar a relação multi-étnica a partir do Suriname, esse berço de talentos da seleção nacional.

O suco de futebol holandês vai até a glória conquistada, finalmente, em 1988, e pelo caminho ficaram esquecidos dois talentos dos Países Baixos: John Bosman, cujo sobrenome ficou famoso por conta de um belga; e Wim Kieft, que teve um fim de carreira depressivo, mas que brilhou no calcio, criando uma entidade mística do futebol: o camisa 9 holandês, como já descreveu outrora a Trivela, a matriz enquanto revista independente brasileira, por quem a Corner nutre grande admiração.

Jornalista, publicitário e fotógrafo. Estudou comunicação social na Universidad Nacional de La Plata. Para Martinho, não existe golaço de falta (nem aquele do Roberto Carlos em 1997 contra a França ou de Petković em 2001 contra o Vasco). Aos 11 anos, deixou o cabelo crescer por causa do Maldini. Boicota o acordo ortográfico.