Carrinho de compras

Nenhum produto no carrinho.

Visca, (Espanya!) Catalunya!

A final da Copa de 2010 em Barcelona

Julho de 2010. Três amigos, transitando por motivos diversos pela Europa, decidiram se encontrar em Barcelona para assistir à final da Copa do Mundo. O objetivo, claro, era acompanhar a previsível decisão daquele Mundial na África do Sul: Espanha x Brasil. Como a racionalidade entra em coma [e sai de campo] de quatro em quatro anos, esse jogo nunca existiu. Só um dos lados cumpriu as expectativas e, assim, espanhóis duelaram com holandeses pela primeira taça de ambos. Coube àqueles jovens vintões a experiência de acompanhar, das ruas da Catalunha, quem seria o novo campeão mundial.

A final aconteceria num domingo e, dois dias antes, uma gigantesca manifestação tomou as ruas da cidade catalã. A maior da história, até aquela data. Quase meio milhão de pessoas clamavam pela independência da Catalunha, carregando bandeiras e entoando cânticos favoráveis à desanexação da Espanha.Entre os manifestantes, um grupo vestido com uma diferente camisa canarinho: “Catalunya Al Mundial Brasil 2014”, era o desejo deles para que a Seleção Catalã se filiasse à FIFA e assim tivesse chances de disputar a Copa no Brasil, dali a quatro anos. A iniciativa não triunfou, mas ficou clara, mais uma vez, a importância representativa de uma seleção de futebol.

Outro destaque futebolístico da manifestação foi a presença de bandeiras da Holanda. A Espanha, território de que a massa manifestante queria deixar de participar, enfrentaria holandeses dali a 48 horas. Não bastava apenas dizer que torceriam contra, era preciso levantar, literalmente, a bandeira do oponente.

Nessa atmosfera de aparente indiferença pelo já inédito feito da Espanha [a chegada numa final de Copa do Mundo], não foi tarefa fácil encontrar uma indicação precisa de um lugar decente para se assistir à final. No domingo pela manhã, entre homens de chinelo comprando jornal na banca e mulheres levando cachorros para fazer xixi na rua, as respostas blasé prevaleciam nas bocas catalãs: “Hmmm, não sei se haverá algo na Plaça de Catalunya…”, “Certamente não terá nada nas Ramblas…” , “Perdón, pero que partido?”. A luz veio quando uma senhorinha, que fumava tranqüilamente seu cigarro num banco da calçada, indicou: “Tentem a Plaça de Espanya”.

Linha 1 Vermelha do Metrô, Estação Espanya. Um mar de gente, comparável ao da manifestação de dois dias antes, aguardava o início da partida defronte a um telão enorme. Era tanta gente, provavelmente acima das expectativas, que foi necessário instalar um segundo monitor que transmitisse a partida.

De Jong furou Xabi Alonso, Arjen Robben perdeu dois gols incríveis e Andrés Iniesta homenageou o amigo Dani Jarque na comemoração do gol que valeu o inédito título mundial para a Espanha. A Plaça de España, lotada, viu uma ebulição humana, com buzinaço [era a Copa da Vuvuzela] e fogos de artifício que se espalharam por toda a cidade. As ruas de Barcelona ferveram por horas a fio, fazendo o domingo entrar na segunda, com jeito de sábado.

A Catalunha, que há algumas dezenas de horas bradava pela sua independência e debochava do feito futebolístico espanhol, festejou o título com a devida emoção que um feito desses merece. Tentar entender é bobagem. Ainda bem que a racionalidade passa longe de uma Copa do Mundo.

Deixe seu comentário