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Uma hora antes na estação

Manhã de quarta-feira. É implacável o frio portenho no mês de agosto. Às vésperas da semifinal contra o Platense, pelo Metropolitano de 1967, Osvaldo Zubeldía convocou os jogadores do Estudiantes que moravam em Buenos Aires para chegarem uma hora antes do horário combinado na Estación de Constitución.

Chegaram Bilardo, Manera, Poletti, Barale e Conigliaro. Durante meia hora Osvaldo Zubeldía nada falou. Diante dos trens que chegavam das mais distantes localidades da grande Buenos Aires, os jogadores observavam sem nada entender. O trem rápido para La Plata saía pontualmente às 8h01. Bilardo resolveu perguntar o que estavam fazendo ali parados.

— Perdão, Osvaldo. O que esperamos?

Zubeldía responde com outra pergunta:

— O que vocês estão vendo, muchachos?

Desorientados, os jogadores se entreolharam e tentaram apontar o óbvio. “Uma multidão”, respondiam. Mas Zubeldía deu a resposta:

— Essa multidão que vem como louca, que corre para chegar ao trabalho no horário. Eles não têm escolha. Ou trabalham ou morrem de fome. Eles, sim, trabalham. Vocês têm a possibilidade de fazer o que gostam, têm a sorte de jogar futebol e de viver bem.

O Estudiantes terminou campeão daquele Metropolitano de 1967, que lhe rendeu vaga na Libertadores do ano seguinte. Em outubro de 1968, o Picha voltava de Manchester com a Copa Intercontinental na bagagem.

Jornalista, publicitário e fotógrafo. Estudou comunicação social na Universidad Nacional de La Plata. Para Martinho, não existe golaço de falta (nem aquele do Roberto Carlos em 1997 contra a França ou de Petković em 2001 contra o Vasco). Aos 11 anos, deixou o cabelo crescer por causa do Maldini. Boicota o acordo ortográfico.

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